Transparência é a única prova social que temos hoje.
A Donare ainda não tem anos de clientes reais para mostrar. O que temos é um protocolo de validação que registramos antes de olhar os resultados — e o compromisso de publicar o veredito, mesmo quando ele não é o que gostaríamos de mostrar.
Por que pré-registrar as regras
Se as regras de aprovação de uma estratégia forem escolhidas depois de ver os números, qualquer resultado bom pode ser garimpado — é só testar combinações até uma parecer ótima. Por isso, antes de rodar qualquer backtest de aprovação, registramos por escrito: quais dados usar, como simular custos reais (Imposto de Renda, spread, taxa de administração), a cadência de rebalanceamento e os critérios numéricos de aprovação. Mudar essas regras depois exige uma nova decisão registrada em ata — não um ajuste silencioso.
Os dois testes que aplicamos contra nós mesmos
Além das métricas usuais (Sharpe, drawdown, volatilidade), rodamos dois testes estatísticos específicos para separar "estratégia real" de "acaso disfarçado de estratégia" — os mesmos usados por gestoras quantitativas sérias:
- Deflated Sharpe Ratio (DSR): desconta o resultado pelo número de variações testadas antes de chegar na estratégia final. Quanto mais combinações você tentou, maior a chance de uma parecer boa só por sorte — o DSR corrige por isso.
- Probability of Backtest Overfitting (PBO): estima, em porcentagem, o risco de que o resultado do backtest não se repita fora da amostra usada para construí-lo.
O veredito — sem suavizar
Em 2026-06-13, o comitê de investimentos avaliou os resultados desses testes contra o CDI (o benchmark mais honesto para o investidor brasileiro, já que é o que se ganha sem correr risco nenhum). O veredito registrado em ata:
- O intervalo de confiança do retorno em excesso sobre o CDI inclui zero para os dois modelos testados — não há evidência estatística suficiente para afirmar que a carteira supera o CDI de forma consistente.
- A probabilidade de overfitting da escolha ficou em torno de 0,46 — uma zona de atenção, próxima de moeda lançada para o ar, tratada como risco conhecido e comunicado internamente como tal.
A decisão do comitê, registrada por escrito naquele mesmo dia: proibido prometer alpha em marketing até existir track record ao vivo suficiente. Posicionar o produto como o que ele de fato entrega hoje — diversificação calibrada ao perfil de risco, disciplina de rebalanceamento e eficiência fiscal — não como promessa de bater o mercado.
Se você quer entender por que isso não invalida o valor de uma carteira gerida, escrevemos sobre isso em detalhe no artigo "Por que não prometemos rentabilidade".
O teste que realmente importa: paper trading ao vivo
Um backtest histórico, por melhor desenhado que seja, já foi usado para escolher a estratégia — não existe holdout verdadeiramente intocado no passado. O único teste genuinamente "fora da amostra" é o que roda com dados que não existiam no momento da escolha: a carteira operando dia após dia, comparada contra o CDI, sem dinheiro real em jogo ainda. É esse acompanhamento — chamamos de net_track internamente — que decide se a trava de marketing muda algum dia. A regra pré-registrada: no mínimo 90 dias de operação antes de qualquer reavaliação, com critérios objetivos (excesso de retorno sobre o CDI, erro de rastreamento, drawdown, disponibilidade) definidos antes de o cronômetro começar a contar.
Governança: nada muda sem registro por escrito
Qualquer parâmetro que altera a carteira de um cliente — pesos do questionário, escolha de modelo, limites de concentração, regras de proteção — segue uma regra fixa desde o início: nenhuma mudança entra sem um backtest ou análise comparativa anexada e uma decisão registrada, com data e racional, num documento interno de atas. Isso vale inclusive para decisões que não favorecem o discurso comercial — a escolha do modelo-casa, por exemplo, foi registrada com uma nota explícita de que a vantagem medida entre os candidatos (~0,2 ponto percentual ao ano) está dentro da margem de incerteza do próprio teste, não é uma vitória comprovada.
O que isso significa para você, hoje
Significa que, quando dizemos que ainda não provamos que batemos o mercado, não é modéstia — é o resultado literal de um teste que aplicamos contra nós mesmos, com regras que registramos antes de ver o número. E significa que, se um dia isso mudar de forma honesta e replicável, você vai saber pelo mesmo processo transparente que usamos para contar que ainda não chegamos lá.